Sunday, March 25, 2007

O lixo no chão de um milhão de anos atrás.
O copo ali, com a borda ainda com álcool e todo o resto pelo carpete.
Cigarros e retratos do último grande amor decadente de meia hora, 15 minutos e 100 milhões de dores.
Acreditar em amor, isso é coisa de antes, do ontem.
Apaixonar, amar, verbos que não dizem nada. Banal.
Queria ela que todos fossem como antes.
Pegar na mão, pedir em namoro, amar, amar até morrer, enviar flores, pintar a rua, fazer outdoor.
Já sentira assim, com vontade de rir e rir até cair chorando, a felicidade sem fim.
E as coisas que fez: todas em vão, todas banais e agora já ridicularizadas.
O coração estancou, ali como o copo ainda sujo, estancou pra sempre.
Estancou como ela, que já estava há 1 ano, 2 meses e 15 dias ali, ainda parada, ainda fazendo a cara de feliz e indiferente, por dentro, quebrada, sem nada, como um furo com restos de sangue, alguma coisa lembrava que existia uma coisa ali, alguma coisa viva, ela ainda está parada, na mesma posição, a boca meio aberta, o cabelo solto e sem penteado, a roupa perfeitamente alinhada, e aquele sorriso, aquele sorriso que ela fazia quando mentia estar indiferente e por dentro estava morrendo, querendo correr até não conseguir mais, querendo fujir, fujir pra rua mais escura e ficar lá, pra sempre, morrer lá, ficar indiferente pro resto de toda uma vida.
E foi o que fez, agora fujia do amor como quem foje de um monstro tenebroso, sem coração não se sente dor, ela ainda tinha a mesma cara de quem não está ligando, mas por dentro, bem dentro, alguma cosia ainda se mechia, alguma coisa ainda batia, um fio de vida, e ela sentava e chorava, chorava, sozinha, e mentia, mentia pro resto do mundo que não sentia nada, mas chorava, chorava, até doer, até cansar, até dormir...




Continua.

Friday, March 23, 2007

Dá medo do medo que dá.

Ela, agora só queria era morrer.
Por ela ficaria parada, imóvel, para um sempre.
Um sempre, vários Sempres cansariam.
Um Sempre de meia hora, meio dia, um dia.
Queria que o mundo a engolisse. Desligava o celular.
Não, não desligava, só não atendia: pro mundo achar que ela estava dormindo.
Acreditava que assim estava fugindo.
"-Você me confunde.
-Confundo ou esclareço?"
Rodando a cabeça.
Rodando, se balançando naquele ritmo de sempre.
Aprendi com ela, vivi com ela, ela, ela, ela...
Entrava dentro de uma bolha de pensamentos soltos, coisas desconexas.
Queria era se esconder.
Birgando, pessoas brigando, e ela? Ela sempre neutra, sempre sem posição.
Sempre em cima do muro, do muro que caiu, caiu porque?
Por ela sempre estar em cima, um dia ela deveria se decidir.
E não decidiu, queria era se esconder.
Queria era que o mundo a engolisse.
Talvez engolisse pelo esquecimento, existe castigo pior que a indiferença?
Estava decidido, viraria uma invisível, uma qualquer, morreria para o mundo.
Morreria para dentro.
É o amor que me empata a vida, repetia, e repetia para seus miolos.
Doentia, forma de vida doentia.
Ciclos e tristezas.
Por que sinto tanto a falta dela?
Por que ela sempre está ali, ali ou ali naquele canto?
'Às vezes é pra sempre, meu bom amigo.'
Ela só queira era morrer pra dentro.

Friday, March 16, 2007

Perdida no tempo caçando palavras. Amórficas. Atemporais. Aquelas que eu não sei o que significa.
Sem ter em quem pensar, com medo de pensar em alguém.
Saudades dos medos de perder ela na grama, do tempo que eu acreditava que éramos felizes e íamos viver pra sempre, e pra sempre juntas.
Das crises de riso e dos medos da morte.
Entrar dentro do buraco e tapar com terra.
Se esconder pro resto da vida.
Se esconder até esquecer.
Mau, querendo morrer, querendo tomar todos os remédios da casa e entrar em coma, se perder no tempo e espaço.
Morrer pra dentro.
Queria que o amor viesse certo. "Produzido para amar e ser amada por: ______"
Pra alguns é tão fácil, pra mim é mortal.
O mundo repetia cada vez mais cruelmente que eu nasci pra morrer, pra morrer de amor, não vai ser morte comum não, vou morrer amando.

E cada vez mais o mundo reservava a porra dum destino podre.
Tão adolescente...